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quarta-feira, 10 de junho de 2009

Frigoríficos e fazendeiros podem pagar indenizações bilionárias

Um levantamento feito pelo Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA) e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), rastreou empresas da cadeia da pecuária na Amazônia. O trabalho mapeia desde a fazenda que engorda o gado, passando pelo frigorífico que abate, processa e revende subprodutos bovinos, chegando até as indústrias de materiais de limpeza, de calçados, de couros, de laticínios e supermercados que utilizam e comercializam os bois da devastação.
O MPF iniciou 21 processos judiciais contra fazendas e frigoríficos, pedindo o pagamento de R$ 2,1 bilhões em indenizações pelos danos ambientais à sociedade brasileira. Sessenta e nove empresas que compraram os subprodutos dos frigoríficos receberam, por enquanto, notificações, em que são informadas oficialmente da compra de insumos obtidos com desmatamento ilegal na Amazônia. A partir da notificação, devem parar a aquisição desse tipo de produto, ou passarão à condição de co-responsáveis pelos danos ambientais.

A notícia caiu como uma bomba em toda a região do sul do Pará onde a atividade da pecuária de corte é mais eminente. Entre os acusados de desmatamento estão às fazendas Espírito Santo e o grupo Quagliato, ambos em Xinguara. No caso da Espírito Santo, por exemplo, os proprietários e os frigoríficos pertencente ao grupo podem ter que pagar o total de mais de R$ 142 milhões, já a fazenda Rio Vermelho, da família Quagliato, em Sapucaia, que pode ter que pagar mais de R$ 375 milhões.

O MPF notificou também grandes varejistas de grande porte, como o Carrefour, Wal Mart, Bompreço e Pão de Açúcar. Entre os frigoríficos processados está um dos maiores do Brasil, a Bertin S.A, que comprou gado de fazendas multadas pelo IBAMA. Entre as fazendas irregulares, nove pertencem à agropecuária Santa Bárbara, dos empresários Verônica Dantas e Carlo Rodenburg.

REAÇÃO - Em Xingura a classe produtora reagiu à notícia de imediato, provocando uma reunião com o prefeito de Xinguara, José Davi Passos (PT), cerca de 30 pessoas, incluindo pecuarista, donos de frigoríficos e até comerciantes estiveram reunidos no gabinete na sexta-feira (05/06) para cobrar providências por parte do Gestor Municipal.

O prefeito Davi Passos se comprometeu em articular junto à governadora Ana Júlia Carepa uma reunião para debater sobre o tema.