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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Escritor Maycol Mundoca comemora aniversário

Maycol Mundoca – É escritor e poeta popular (nas horas vagas ele trabalha). O blog o parabeniza pelo seu aniversário (15/09). Quem também o parabeniza é Ângela Paula, que é fâ número 1 do poeta.
E para comemorar a data do escritor, nada melhor do que publicar um de seus artigos.

Artigo: Declaração de um exilado

Dizem que melhor que partir é voltar... Pra mim depende... Depende pra onde se está voltando.
Por exemplo, voltar à minha cidade natal (Santana do Araguaia) tem sido um grande sacrifício. Sempre que passo por lá sou bombardeado pelos últimos excêntricos e fúteis acontecimentos ou novidades. Dias desses levei um susto quando vi um boi lendo uma Bíblia na praça principal... E como se isso não fosse o bastante, logo, logo (e isso é serio!) haverá (uma estátua de) boi em cada praça da cidade. As mulheres estão desesperadas, tentando explicar aos seus maridos que não existe nada de subliminar quando se é obrigado a dizer: - Eu moro na cidade do boi.
Bom mesmo é voltar pra Redenção, cidade pela qual estou apaixonado... Redenção com cheiro de carne seca, e seu estilo desprendido de tudo... Redenção nada regional, Redenção universal. Sempre defendi a tese de que Redenção não tem cultura, e é a ausência de cultura que torna Redenção tão peculiar; nesse caso único, a indigência faz a identidade. É um pecado horrível tentar regionalizar Redenção, então um salve pra Iarla (é assim que se escreve?) e suas batidas de violão... O estilo alternativo que dá uma polidez, um charme especial pra cidade.
Sofro quando maltratam Redenção, quando vejo pais pedindo esmola, filhos cheirando cola longe da escola... Famintos de sonhos e de bola... Quando vejo políticos com os braços inteiros enterrados em seus bolsos que parecem não ter fim... Quando vejo a sujeira das ruas e das repartições... Mas ainda assim é bela...
Redenção é uma mulher... Uma adolescente louca das calçadas, com suas muitas curvas e seus defeitos apaixonantes. “... Eu sei. Ah! Eu sei que meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e que você é filha direta de todas as mulheres que eu amei...” E agora nesse exílio opcional em que me encontro, sei que não posso viver muito tempo sem você...
Por mais que minha memória seja invadida por infinitos minutos, lembranças de quando o último poeta da madrugada cortava a Santa Teresa, avenida que vem e que vai, sempre como numa batida cadenciada, sempre uma música no ar...
Seguem–se assim os últimos admiradores da noite redencense, frios, vazios de si... Com a certeza de que é sim, cidade boa pra se morar... Mais que isso, cidade pra se entender o que é viver...
Sentirei saudades das filas intermináveis, do pagode de domingo e do forró da sexta, da gritaria dos bares e do murmúrio da “boleragem”. Sentirei saudades das caminhonetes espalhafatosas com seus sons sempre no último volume e com sua música insuportável. Sentirei saudades dos amigos e dos barzinhos.
Redenção começa a se moldar rumo ao grande, ao gigantesco; começa a tomar forma de cidade polo. Está longe de ser mais uma cidadezinha provinciana com aspiração a capital. Redenção já tem a batucada. Redenção já tem diferencial em seus restaurantes. E sua cerveja é inconfundivelmente gelada... Isso eu posso afirmar.
Sentirei saudades dos aromas e dos sabores... As mulheres que eu amei é que perdoem, mas se tem uma coisa em Redenção que me fará falta: essa coisa é com certeza a comida da Telma e a cerveja gelada do seu Tibirica. E essa propaganda é grátis.
Saudades...