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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

PA-279: UMA AVENIDA BOIADEIRA


Por Adamor Júnior

Quem trafega normalmente pelas rodovias que cortam o sul do Pará, já não se assusta quando se depara com uma boiada no meio da pista. Afinal, esta é a região maior produtora de gado de corte do País, apesar do incomodo que pode causar para alguns, que precisam reduzir a velocidade e atravessar com cuidado com o veículo no meio da boiada, a maioria dos motoristas não costumam reclamar, entendem que estão transitando em estradas rurais e que antes a maioria delas era uma estrada boiadeira.
A tarefa da condução do rebanho (por vezes mais de duas mil cabeças de gado) é tarefa exclusivamente aos tropeiros, uma profissão já beirando a extinção, mais ainda muito valorizada entre antigos fazendeiros que possuem grandes rebanhos na região e permanece viva na memória de alguns sertanistas saudosistas, mostrando uma realidade que se pensava haver ficado em um passado distante.
Hoje os caminhos da comitiva levando a boiada já não são os mesmos, algumas estradas antes apenas um corredor de terra batida receberam uma capa dura de asfalto, as estreitas estradas vicinais usadas somente pelos colonos para tocarem o gado em busca de novos pastos, viraram importantes rodovias, os antigos ranchos se transformaram em grandes fazendas produtivas e até o nome “tropeiro caipira” em alguns lugares já e chamado de “cowboy”.
Relembrando que a palavra ‘cowboy’ foi utilizada inicialmente no estado norte-americano do Texas, por volta da década de 1860. Era usada para descrever os homens que, de cima de seus cavalos, controlavam o gado. A principal tarefa dos cowboys era atravessar longos caminhos levando o gado de uma cidade para outra, onde esses bois e vacas acabariam sendo vendidos.
Além de conduzir o gado das cidades onde se comercializavam esses animais para fazendas e regiões comerciais, os vaqueiros ainda tinham que marcar o gado a ferro quente, identificando os animais com os símbolos das fazendas e de seus proprietários.
“Assim que recebe seu pagamento, o cowboy se encontrava totalmente à vontade para gastar o dinheiro ganho no longo caminho percorrido e os apostadores, jogadores e prostitutas geralmente negociavam até chegar ao ponto em que os vaqueiros ficam sem dinheiro em troca de investir seus vencimentos em diversão”.
O Nosso “cowboy” ou nosso valoroso tropeiro também já não é o mesmo, algumas mudanças o tempo se encarregou de fazer, agora quando está tocando a boiada sertão adentro, ele pensa na família, os filhos e na mulher amada, que ficou distante, a musica que vem do radinho de pilha ainda alegra suas noites, e ao lado dos amigos da tropa, ele ouve modas sertanejas e se identifica com as melodias, e as currutelas, nome dado as pequenas vilas do interior de Goiás onde os peões faziam uma parada e lá encontravam mulheres e diversões, já não existem mais, algumas viraram importantes municípios e até mudaram de nome.
Antes de ser encarada como um risco para quem precisa usar a estrada em alta velocidade precisamos entender que a tocada da boiada faz parte da história do povo dessa rica região, quando enxergar na pista o ponteiro com a bandeira vermelha indicando boi na pista, reduza a velocidade, abra a janela, aprecie nossa belíssima paisagem rural e seja bem vindo ao sul do Pará, você está numa legitima estrada boiadeira.