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terça-feira, 23 de março de 2010

EDITORIAL: Estado de Carajás ganha adesão


Viajando há poucos dias pelo mundo dos blogs, me deparei com um, que pelo nome me chamou muita atenção e também muita curiosidade. O blog a Perereca da Vizinha, da jornalista Ana Célia, paraense da gema, abordou o tema estado de Carajás, com tanta propriedade que resolvi transcrever o relato de alguém que conhece a luta de um povo que busca sua independência.
Comentário do blog:
Penso que o deputado Giovanni Queiroz tem todo o direito de defender a criação do estado do Carajás. E, para ser muito sincera, concordo com a criação desse novo estado, apesar de ser paraense da gema, filha de caboclos do Marajó. Penso que não é apenas o histórico abandono daquela região que está por trás do desejo de independência de boa parte da população do sul do Pará. O abandono, é claro, ajudou.
Mas, bem vistas às coisas, há muito tempo que o sul do Pará já é, na prática, outro estado, com uma cultura formada por cidadãos de vários pontos do Brasil – e que é muito, muito diferente da cultura paraense.
Em minha opinião, não dá para obrigar essas pessoas a continuarem paraenses, se, passados tantos anos, não conseguem, simplesmente, “se ver” como paraenses.
Foram essas pessoas, afinal, que desbravaram aquela região e construíram, com muito suor e contra todas as dificuldades, a pujança econômica do sul do Pará.
Aquela região pertence, em verdade, a todos esses admiráveis pioneiros. E não dá para transferir a essas pessoas o ônus da nossa incompetência – a incompetência que nos fez perder, para o vizinho estado do Maranhão, a luta por uma infraestrutura que nos permitisse participar, também, da exploração das enormes riquezas do estado de Carajás.
Há muito tempo, conversando com amigos, eu dizia justamente isto: o problema não é Carajás, não é a separação daquela terra, que é, na prática, outro estado. Mas o fato de não termos nos preparado para ajudar a verticalizar ou escoar a riqueza de Carajás que, de tão imensa, pode, sim, alavancar várias economias do entorno.
Nossos governos – petistas, tucanos, peemedebistas – se perderam em quizílias, em questiúnculas. Preferiram, apenas, incensar o próprio umbigo, em vez de ser preparar, de verdade, para o futuro.
E agora, com Inês já até em decomposição, de nada adianta o chororô.
No entanto, penso que o plebiscito acerca do estado de Carajás tem de abranger os sete milhões de paraenses – e não apenas a população do sul do Pará. Afinal, essa questão diz respeito a todos aqueles que habitam o vasto território da solitária estrela da bandeira brasileira.
Todos devem ter garantido o direito de manifestar a sua opinião, num debate que será até pedagógico, vez que nos levará a refletir acerca do provincianismo da política paraense. Penso, também, que será preciso definir claramente a quem caberá “à custa” desse processo.
Não que se vá simplesmente “cobrar” pelos investimentos realizados no sul do Pará, uma vez que isso não foi mais do que obrigação. Mas também não poderemos os paraenses carregar um fardo que nos estrangule o próprio desenvolvimento. No mais, é desejar boa sorte aos irmãos carajaenses.
Que possamos estar juntos na defesa da Amazônia e no combate às desigualdades regionais. E que nós, os paraenses, possamos colher, no futuro, o resultado de uma profunda reflexão acerca dos nossos erros.
Ana Célia e titular do blog “a perereca da vizinha”, visitado por diversos blogeiros do estado do Pará. (Otávio Araújo)