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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Redenção: Família de sindicalista clama por Justiça


Parentes do líder dos trabalhadores na agricultura familiar Pedro Alcântara de Sousa, assassinado no município de Redenção, sul do Pará, no dia 31 de março deste ano, estão desiludidos com o andamento do processo que apura a sua morte e criticam a morosidade da Justiça. A família alega que há mais de quatro meses do crime, os acusados, que estão presos, ainda não foram ouvidos pela Justiça e a polícia ainda não chegou ao mandante do crime.
Irmão do sindicalista, Veimar Benjamim de Souza, com apoio da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf), tenta levar o caso para a esfera federal, uma vez que não acreditam que a Justiça do Pará possa elucidar por completo, o assassinato. “Já tivemos duas audiências com autoridades da Secretaria de Segurança Pública do Estado, mas sentimos que não está havendo o empenho necessário para que descubram os verdadeiros autores e mandantes do crime. Em Redenção, as autoridades alegam que o processo corre em segredo de Justiça”, desabafa Veimar.
A Promotora de Justiça, Jane Cleide Sousa, que atua no processo, disse que o inquérito foi encaminhado à 2ª Vara Criminal da Comarca de Redenção, mas até agora não retornou ao Ministério Público. “Estamos aguardando o envio do inquérito ao MP, para darmos prosseguimento no desenrolar do processo”, ressalta. O assassinato do coordenador da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Fetraf Pedro Alcântara de Souza, goiano, de 55 anos, ocorreu no setor Park dos Buritis, onde ele foi executado com quatros tiros na cabeça disparados a queima roupa por dois homens que estavam em uma motocicleta. A vítima e sua mulher, Marielza Sousa passeavam de bicicletas no momento em que foram abordados pelos assassinos. Marielza não foi atingida pelos disparos.

Pedro Alcântara tinha uma longa história política no município. Em 1982, foi eleito vereador, fazendo parte da formação da primeira Câmara Municipal, uma vez que até então a cidade era parte de Conceição do Araguaia. O primeiro mandato, foi de seis anos - 1982 a 1988. Foi reeleito por duas vezes, ocupando de 1982 a 1996, e chegou a ser presidente da Casa três vezes.

Apenas um pistoleiro acusado do crime foi preso pela polícia

Á frente da Fetraf, além de participar diretamente da coordenação da invasão de uma das propriedades do grupo do banqueiro Daniel Dantas, a fazenda Cedro, situada na zona rural de Marabá, em setembro de 2009, liderou a ocupação do Incra de Marabá, exigindo a desapropriação de várias áreas para fins de reforma agrária.

Os membros da Fetraf queriam a urgente desapropriação de seis fazendas situadas no sul do Pará. No centro da questão estavam as fazendas "Cristalino", localizada na zona rural de Santana do Araguaia, com 55 mil hectares de terra, e a Estrela de Maceió, em Cumaru do Norte, com área de 80 mil hectares. Os delegados Alberto Teixeira e Samuelson Igaki prenderam Wislei de Oliveira Faustino, conhecido como “Canelinha” que teria recebido R$ 30 mil para matar o sindicalista. (João Lopes)