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sábado, 25 de setembro de 2010

TO: Organização criminosa fraudava licitações com apoio do governo


Com as portas abertas no Palácio Araguaia, sede do governo do Tocantins, organização criminosa que fraudava licitações planejava investir em uma nova frente na administração Carlos Henrique Gaguim (PMDB) - apontado como padrinho político do lobista do grupo, Maurício Manduca, preso há nove dias por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro ilícito.

A meta era fechar com exclusividade contratos milionários com a Aguatins, autarquia de saneamento básico, anunciada pelo governador como marco da aliança com o governo Lula. "A Aguatins foi criada para facilitar as parcerias com o governo federal, do presidente Lula, da nossa futura presidente Dilma, para levar água tratada à nossa população carente", declarou Gaguim, que busca a reeleição com apoio de Lula e Dilma.

Gaguim promete a "bolsa água" - as famílias atendidas pela Aguatins que consumirem pouca água poderão ter até 100% de sua conta subsidiada pelo governo estadual.

A Aguatins foi criada em março. Ainda não saiu do papel, mas já recebeu um aporte de R$ 2,5 milhões. Em ato de 6 de julho, Gaguim nomeou para a presidência da autarquia o suplente de senador Sadi Cassol (PT). A folha salarial do órgão chega a R$ 253 mil, para 82 funcionários.

Uma empresa da organização, O. O. Lima, já se instalou em Palmas em 2009, assumindo contrato de R$ 13,8 milhões com a Secretaria da Educação. O negócio está sob investigação.

O Ministério Público de São Paulo, que investiga a quadrilha, cuja base ficava em Campinas, identificou as ligações do lobista com o governador do Tocantins e com o procurador-geral do Estado, Haroldo Rastoldo.

No relatório, à página 311, a promotoria destaca os planos do empresário José Carlos Cepera, suposto líder do grupo. Em telefonema a um de seus funcionários, Lúcio de Souza Dutra, ele pede que interceda junto a Rastoldo de olho em contratos na própria procuradoria e nas secretarias da Fazenda, Planejamento e Agricultura. Cepera sugere ao procurador que encaminhe as demandas aos secretários.

Conselheiro do governador, Rastoldo teria sido incumbido, segundo o dossiê da promotoria, a "fazer as intervenções políticas necessárias para acelerar as contratações de funcionários de uma das empresas".

À página 156 do relatório, os investigadores mostram que no dia 15 de abril, às 18h43, Manduca e o procurador "conversam com Cepera e discutem contratações fraudulentas em Tocantins". Rastoldo diz que surgiram "questões extraordinárias" no processo "O dinheiro está aqui, temos que vir buscar e levar para Palmas", diz o procurador.

O escândalo provocou reação de opositores de Gaguim. O deputado Freire Jr. (PSDB) pediu o impeachment do governador e o afastamento imediato do procurador. "O governador deve satisfações à sociedade que está indignada, alarmada. É uma coisa que chocou a todos nós." Freire Jr. disse que "não há possibilidade" de a Assembleia molestar Gaguim. A casa tem 24 deputados, 23 deles o elegeram governador.

Em nota, o peemedebista atribui as denúncias a adversários e diz que é cumpridor da lei. Rastoldo nega parceria com a quadrilha. (Fonte: A Notícia – TO)