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segunda-feira, 28 de março de 2011

Ex-militares da Guerrilha do Araguaia querem ter direito a aposentadoria


Ex-militares que combateram Guerrilha no Araguaia no período de 1972/1974, agora lutam na Justiça por reintegração ao Exército e direito a uma aposentadoria, quase 36 anos após terem deixado a região e as Forças Armadas. Além do benefício, eles também querem uma indenização por danos morais, por considerar que foram tão vítimas quanto os guerrilheiros nos combates.

A reunião aconteceu em Marabá e contou com a presença de representantes do Ministro de Estado da Defesa, Paulo Fontelles Filho, OAB de Brasília, e deputados federais.
A Guerrilha do Araguaia foi um dos episódios mais sombrios da história brasileira. Militantes do PC do B foram ao Norte do país para formar um grupo armado que combatesse o regime militar.

Sobre este episódio até hoje, corpos dos guerrilheiros mortos continuam desaparecidos. Calcula-se que foram à mata cerca de cem guerrilheiros, que enfrentaram algumas centenas de militares.

Agora os ex-militares alegam que não eram oficiais, apenas recrutas do serviço obrigatório, e que não estavam no Araguaia porque queriam.

"Logo que chegamos lá, fomos avisados de que ou matávamos ou morríamos. Não tivemos escolha", diz o presidente da Associação dos Ex-Combatentes do Araguaia, Raimundo Antônio Melo. "Fomos vítimas, até mais do que os guerrilheiros, porque fomos enganados", afirma.

No encontro em Marabá cerca de 80 ex-militares que moram em outros Estados da Federação, entraram com uma ação, na Justiça do Distrito Federal. Ex-combatentes de outros Estados (Pará, Goiás e Espírito Santo) também se mobilizam pelos mesmos benefícios pela via judicial.

No decorrer da reunião a grande maioria dos ex-militares presente, contaram histórias semelhantes nos seus depoimentos, quando afirmaram que prestaram serviço militar obrigatório e, já perto do tempo de sair foram surpreendidos para fazer mais uma manobra normal, entretanto, no meio da viagem até Xambioá (TO), foram informados que se tratava de um combate real. "Só soube quando entregaram munição real para a gente. Se fosse só uma manobra, aquilo não era necessário", diz Raimundo, ex-militar.

Neste episódio a diferença, porém, é que tanto os moradores como os guerrilheiros estão pleiteando as reparações no Ministério da Justiça, que tem uma comissão especificamente para estudar isso. No caso dos militares, o papel desempenhado por eles não se enquadra entre os contemplados pela lei 10.559, a chamada Lei da Anistia.

O guerrilheiro Micheas Gomes de Almeida, ou Zezinho do Araguaia, como ficou conhecido, é um dos poucos sobreviventes da Guerrilha do Araguaia, ocorrida no Norte do País, na região da Bacia dos Rios Araguaia e Tocantins.

No encontro em Marabá, Zezinho do Araguaia, falou sobre a sua militância de 37 anos no PC do B, focando as perseguições dos militares aqui no Brasil pelo seu ato de protestar contra o regime militar.

O ex-militar Nisan Anaissi Sarmento, incorporado no 2º BIS na 1ª Cia de Selva, relatou que a sua atuação aconteceu na região de Marabá até Palestina do Pará, onde por duas vezes teve que abrir fogo contra os guerrilheiros. “Nossa manobra de treinamento não foi o suficiente, mas teve que manter o meu papel pelo tempo que fiquei destacado para a missão”, afirma.

Nisan Sarmento reside no sul do Pará há anos. Primeiro morou em Conceição do Araguaia, hoje é residente em Redenção e é militante na imprensa.


Ex-military Guerrilla want to have the right to retirement

Former soldiers who fought in the Araguaia Guerrilla in the period 1972/1974, now fighting in court for reinstatement to the army and the right to a retirement, nearly 36 years after leaving the region and the Armed Forces. Besides the benefit, they also want a punitive damages on the grounds that were as much victims as guerrillas in the fighting.

The meeting was held in Maraba and was attended by representatives of the Minister of State for Defence, Paulo Filho Fontelles, OAB in Brasilia, and federal representatives.

The Guerrilla was one of the darkest episodes in Brazilian history. Militants PC B were north of the country to form an armed group to fight the military regime.

On this episode today, the bodies of dead guerrillas are still missing. It is estimated that the woods were about one hundred guerrillas, who faced a few hundred soldiers.
Now the former military officers contend that they were not just recruits from compulsory service, and who were not wanted because the Araguaia.

"Once we got there we were told that either ditched or Morrie. We had no choice," says the president of the Association of Ex-Combatants do Araguaia, Raimundo Antônio Melo. "We were victims, even more than the guerrillas, because we were deceived," he says.

At the meeting in Maraba about 80 former soldiers who live in other states of the Federation, filed a lawsuit in Federal District Court. Ex-combatants from other states (Pará, Goiás and Espírito Santo) was also mobilized for the same benefits through the courts.
During the meeting the vast majority of this former military, told similar stories in their statements when they said that compulsory military service rendered, and since near the time of exit were surprised to a more normal operation, however, in the middle of the journey until Xambioá (TO), were informed that this was a real fight. "I just knew when live ammunition delivered to us. If it was just a maneuver, it was not necessary," says Raymond, ex-military.

In this episode the difference, however, is that both the residents as the guerrillas are seeking reparations in the Ministry of Justice, which has a committee specifically for this study. In the case of the military, the role played by them does not fall between those contemplated by the Law 10,559, known as the Amnesty Law.

The guerrilla Micheas Gomes de Almeida, Dewey or do Araguaia, as it became known, is one of the few survivors of the Araguaia guerrilla movement, which occurred in northern Brazil in the Basin region of the Araguaia and Tocantins Rivers.

At the meeting in Maraba, Dewey Araguaia, spoke about his 37 years of militancy in the PC do B, focusing on the persecution of the military here in Brazil for her act of protest against the military regime.

Former military Nisan Anaissi Sarmento, incorporated into the BIS 2 at the 1st Jungle CIA, reported that its actions happened in Palestine until the Maraba region of Para, where he twice had to open fire on the guerrillas. "Our training maneuver was not enough, but had to keep my job by the time I was seconded to the mission," he says.

Nisan Sarmento resides in southern Para years. First lived in Conceição do Araguaia, is now residing in redemption and are militant in press.