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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

ARTIGO: BR 158 e os Cupins


Por Maycol Mundoca

Era minha avó quem dizia que no mundo nada sofria uma injustiça tão grande como o cupim, e quando perguntávamos; “por quê?” Ela discursava em defesa dos pequenos insetos:
“Já ouvi estórias de formigas, de cigarras, de abelhas. Mas ninguém fala do cupim, você já viu o tamanho de um cupim? Pois é, imagina então o que é pegar um punhadinho de terra na boca, molhar com a sua ‘salivinha’ e construir seus castelos, suas fortalezas... E ninguém reconhecer esse serviço?! Os cupins fazem em poucos dias, o que um batalhão de pedreiros não fazem em anos”. E apontava pela janela do veículo, onde os pastos eram cobertos das estranhas construções.
Na minha infância ouvia esse discurso anualmente, pelo menos duas vezes por ano, quando íamos visitar a família em Redenção. Sacolejando num trecho de quase 200 km, de estrada esburacada e decrépita.
Há uma semana, refiz de novo essa jornada e me dei conta de como pouca coisa mudou. As mesmas velhas pontes inacabadas, como monumentos ao fracasso humano, os velhos desvios que foram cenários de inúmeros acidentes, as “Panelas” cada vez maiores e em maior quantidade.
Tudo ali exatamente igual.  Como uma prova concreta: somos esquecidos!
Eu não quero saber quem está no PODER, se é o PT ou PSDB, Al Qaeda... Os Xiitas, os Sunitas. Eu quero ver resultado, quero ver os nossos operários construindo os caminhos desse enorme cupinzeiro maltratado, chamado Brasil.
O que falta?! Competência? Vontade política? Verba? Nunca fica claro. O governo vai empurrando com a “barriga”, os assessores impedem qualquer aproximação e acesso, com amigáveis tapinhas nas costas, desculpas esfarrapadas e uma barricada de seguranças. E tudo continua exatamente igual...  Entra governo sai governo.
Segundo a APROSOJA MT (Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso), essa rodovia é a principal via de escoamento da produção agrícola do nordeste do Mato Grosso e do sul paraense rumo aos portos do Norte, como o de São Luiz, no Maranhão.
Sendo tão importante, é no mínimo contraditório que esteja nesse estado. Precisamos urgentemente de uma reforma, não uma reforma imediatista como a dos remendos que são feitos anualmente. Precisamos de uma reforma no que diz respeito ao modelo de prestação de conta, como: do que foi feito, do está sendo feito, de quando será feito, permitindo a cobrança da população.
A população precisa participar mais, e os nossos funcionários de Brasília precisam nos dar condições a isso. Li que no centro do cupinzeiro existe um labirinto de passagens que dão acesso a todas as camadas, inclusive a camada onde fica a rainha. Precisamos ter acesso à nossa “rainha”!
Nos falta muita coisa, o Brasil só vai pra frente quando começar a funcionar mais ou menos como um Cupinzeiro. Eles, pelo o que fiquei sabendo, são uma sociedade complexa e organizada e em cuja estrutura social cada indivíduo tem uma parcela de responsabilidade. Lanço desde já um grito alto: CUPINS NO GOVERNO, JÁ!!!!