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sábado, 7 de fevereiro de 2015

Tucumã: Novas denúncias reforçam envolvimento da primeira-dama em pedidos de propinas

Prefeito Adelar e a primeira-dama Ceissa
Novos relatos de vítimas ouvidas com exclusividade pela reportagem do Jornal A Notícia reforçam o envolvimento da primeira-dama de Tucumã, Maria da Conceição Vitória, conhecida como "Ceissa", em pedidos de propina a empresários da região. Uma nova "vítima", que não quis se identificar por temer represálias, contou que não é a primeira vez que a primeira-dama age desta forma.

Ceissa, que é esposa do prefeito de Tucumã, Adelar Pelegrini (PMDB), ocupava a pasta de Promoção Social do município, mas foi afastada do cargo acusada de corrupção, por meio de uma medida cautelar, expedida pelo juiz Pedro Enrico de Oliveira, da Comarca local. Ela também foi impedida de se aproximar de qualquer prédio público a uma distância de, pelo menos, 200 metros.

“Se a justiça quebrar o sigilo da conta bancária AG: 1686 -1; CC: 10034-0, do Banco Bradesco, na qual ela pede para que sejam depositados os valores das propinas, vai observar claramente uma grande movimentação financeira”, denuncia um empresário, que diz ser vítima de Ceissa. Segundo ele, a conta seria do sobrinho dela, Maurício Amauri, que mora na Bolívia. “Ela justificou a mim que o valor de R$ 20 mil reais, a ser repassado para a conta do sobrinho dela, seria de uma dívida que eu teria contraído junto a ele. Mas, dívida de que? Se não comprei nada dele”, defende-se o empresário.

Já outro empresário da região, que também pediu para não ser identificado, revelou que a prefeitura só comprava da empresa, se ele desse um valor de 15% por cento.

De acordo com o delegado William Crispim, que está à frente do caso, Ceissa teria negado o crime de ‘vantagem indevida’, mas confirmou que a anotação feita em um guardanapo com informações de uma conta bancária e o pedido de depósito no valor de R$ 20 mil reais ao empresário Amadeu Biagi, teria sido de autoria dela, mas que teria escrito em ‘situação adversa’. Ainda segundo o delegado, a investigação segue em sigilo. “Apesar de as alegações dadas por Ceissa fazerem sentido, continuaremos investigando a participação dela no caso”, afirmou o delegado.

Ao todo, oito pessoas envolvidas no caso já prestaram depoimentos à polícia, entre elas o secretário de Finanças, Darci Gilberto; o responsável pelo departamento de Compra da prefeitura, Webert Lourenço; o funcionário público, Mizael Lourenço; além da irmã da primeira-dama, Maria Eliezer e testemunhas do empresário Amadeu Biagi.

Os valores aos quais estariam sendo cobradas propinas aos empresários, seriam referentes obras da cidade.

Na próxima semana, devem ser ouvidos pelo delegado Crispim os representantes das empresas que prestam serviços à prefeitura .

Aberto no dia 23 de janeiro deste ano, o inquérito policial tem prazo de 30 dias para a conclusão, prorrogáveis por mais 30 dias, se necessário.

A reportagem do jornal A Notícia entrou em contato com a prefeitura de Tucumã, falou com o assessor de comunicação e com o secretário de Administração, que ficaram de retornar, mas até o fechamento desta matéria, nenhum representante da prefeitura entrou em contato com a redação para se pronunciar sobre o fato. (Fonte: Jornal A Notícia)