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sexta-feira, 3 de junho de 2016

Redenção: Karlos Wonney conta sua história que virou exemplo de vida

Ainda tem jeito!

Karlos Wonney é âncora de programa de TV
Nasci no ano de 1982 e levei uma vida normal até o ano de 2007. Foi neste ano que deixei a igreja e comecei a frequentar lugares que até então não conhecia. Entreguei-me à bebida e à prostituição. Comecei achar que todas as pessoas que me cercavam eram chatas e até mesmo a cidade ficou chata. Eu, profissional da voz, casado, pai de dois filhos, decidi que Redenção também era muito chata. Então resolvi ir embora. Vendi tudo e fomos morar em Imperatriz (MA).

Em Imperatriz havia grandes profissionais que eu admirava. Era um lugar perfeito para uma nova voz se destacar, e consequentemente ganhar muito dinheiro. Tudo isso teria acontecido, não fosse uma decisão insana: em uma noite os amigos me oferecerem crack. E eu aceitei.

A partir daquele momento, minha vida nunca mais seria a mesma. Comecei a usar droga esporadicamente, porém não existem níveis de segurança para quem usa droga. Em pouco tempo eu já estava usando droga sozinho, em meu apartamento, e, isolado de todos. Dois meses depois começou a faltar dinheiro para pagar o apartamento, faltou alimento dentro de casa e até mesmo a energia estava quase para ser cortada. Eu continuava usando droga incessantemente e pouco me importava com minha esposa e filhos.

O interessante e que quando eu estava em extrema dificuldade financeira, aqueles mesmos amigos que me levaram para as drogas, fizeram uma coleta em dinheiro e mandaram minha esposa e filhos de volta para Redenção. Eu fiquei sozinho e sem ninguém para me amparar.

Naquele momento eu só via uma saída: tirar a minha própria vida. E foi o que eu fiz. Pendurei-me em uma escápula de armar rede usando um cinto, porém pouco antes do fim, me arrependi e pedi uma nova chance a Deus. E ele me deu. Cai e fiquei por quase uma hora me recuperando do quase enforcamento. Em seguida fui a um pregão e vendi todos os móveis do apartamento, deixando somente uma mesinha de criança ao qual eu sentava ali com uma vela acesa e usava drogas a madrugada inteira.

Sozinho, sem dinheiro, orei a Deus mais uma vez, e pedi para que ele me tirasse daquele lugar, e ele me atendeu. Fui então contratado para trabalhar em uma rádio em Tailândia, no estado do Pará. Em princípio, quando cheguei tudo era lindo , porém não adianta mudar de cidade e não mudar de atitude. Em menos de um mês descobri onde havia droga para vender e o pesadelo iniciou-se outra vez. Ainda mais longe de minha família, e, novamente sozinho a situação foi de mal a pior.
Wonney quando era usuário de droga

Comecei a perder peso rapidamente, pois não tinha o que comer. Eu revirava latas de lixo na rua à procura de comida. Às vezes eu encontrava marmitas congeladas, sendo necessário deixá-las ao sol para o resto de comida descongelar. Mesmo assim ainda não me sentia no fundo do poço. Até que um dia, sentado em frente a uma padaria, o proprietário, com um cabo de vassoura na mão, me mandou sair de lá. Ali, eu pude perceber que eu já não era mais o Karlos Wonney de antigamente, profissional querido e respeitado pelos amigos.

Drogado e entorpecido cheguei a pesar 54 quilos, virei mendigo perambulando pelas ruas sem direção, sem esperança e sem sonhos.

Em Redenção, Núria e Vicente Leal “VP” ficaram sabendo que eu estava nessa situação e foram à Tailândia para tentar me resgatar para a vida. Voltei à minha cidade, porém não mudei de atitude, continuei usando drogas, frequentando diuturnamente as cracolândias de Redenção. A droga roubou minha vida, meus sonhos, minha família, me tornou mendigo e por pouco não me mata.

Mesmo drogado comecei um namoro com minha atual esposa Vera Lúcia. Contei a ela toda verdade e ela resolveu encarar o desafio de me ajudar mudar de vida. Fomos para a Igreja de Deus no Brasil onde fomos bem recebidos por todos, sob os cuidados do pastor Gilmar e pastora Vanessa.
Família constituída na religião

Sabendo da minha história, o pastor Gilmar me levou para fazer tratamento em uma clínica, em Trindade (GO), onde fiquei apenas 29 dias. Voltei para Redenção e continuei usando drogas.
Até que em um fatídico dia eu fui acometido por uma overdose. Fiquei em choque das 19 horas até às 10 horas da manhã do dia seguinte, quando fui encontrado caído em um matagal, quase morto. O local era de difícil acesso e demorou muito para eu ser resgatado.

Em uma maca imóvel em frente ao hospital, muita gente me olhava quase morto e dizia: - esse aí não tem mais jeito, só a morte para mudar. Outros diziam: - acabou esse vai morrer.
Apesar de o meu quadro clínico ser grave e contrariando todas as expectativas, naquele mesmo dia recebi a melhor proposta de minha vida. A senhora Luciene Carvalho resolveu me ajudar com um tratamento de desintoxicação em São José do Rio Preto (SP).

Foi à última vez que usei droga em minha vida. O tratamento durou 6 meses, período difícil, mas que valeu a pena passar por tudo isso, pois através de minha cura, dezenas de pessoas encontraram também um novo caminho para suas vidas.

Casei-me com Vera Lúcia, que não desistiu de mim, sou pai de Wonney Henrique, Karlos Eduardo, e por último, depois de toda essa trajetória, me tornei pai de meu filho caçula ao qual coloquei o nome de Israel José “aquele que luta com Deus e vence”.

Tornei-me locutor oficial de diversas empresas nacionais. Sair do anonimato e fui escolhido pela direção da TV Cidade (SBT) de Redenção, para ancorar o programa Sul do Pará em Revista. O programa foi eleito como o melhor de 2015, segundo a opinião pública.

Hoje, eu e amigos desenvolvemos um movimento chamado “Eu te quero sem drogas”, que ajuda pessoas vítimas de dependência química. Sou palestrante e trabalho com redução de danos de álcool e drogas. Adquirir uma propriedade rural “Rancho Bom Sossego” onde descanso com minha família e amigos, depois de uma semana exausta.

Resolvi contar toda essa minha história para mostrar que vale a pena acreditar no ser humano, seja ele quem for. Não importa a situação que você esteja vivendo hoje, e em qual nível de dependência você esteja ainda tem jeito, basta acreditar e aproveitar as oportunidades que surgirem.

Se você tem um dependente químico em casa, não desista dele jamais, continue acreditando que sua vitória chegará, assim como eu que perdi tudo, comi lixo, mendiguei, fui expulso de calçadas, excluído da sociedade, por pouco não morri, ao olhar humano parecia impossível, porém sou um milagre da vida, estou aqui para mostrar que é possível e que ainda tem jeito.

Agradecimentos
A minha vitória não seria possível sem Deus, em primeiro lugar, minha esposa Vera Lúcia, Taborda, minha mãe Maria das Dores, minha família e aos casais: Pastor Gilmar e pastora Vanessa, Vicente Leal e Núria Santos, Fabrício Nunes e Selma, Pastor Eurípedes e Eunice Lopes, Eliene e Lindoval Arruda, Clenildo e Izandra Rocha, Jason Alves e Fernanda Alves, Irmã Leide e Lourival Arruda, Wigens Santos e Betânia, Walter (CFC Araguaia) e Mazinha, Francisco Guinha e Alessandra, Pastor Gelson Rocha Caroline Alves.

Aos pastores Nélio Pereira, Orealdo Maracaípe, Domício.

E também amigos e familiares como, por exemplo, Luciene Carvalho, Carlo Iavé, Rubens Cleiton, Áurea, Eliana, Gilberto Larre, Marcos Vinni, Robert Sat, Ronilson Freitas, José Alano Leão, Júnior Stedile, Willian Henrique, Max Muniz, Daveny Jalles, Bruno Madeira e Jessé Martins.

IN MEMORIAN
Mauro Cardoso, Sargento Jussi, Prefeito Wanderlei Coimbra e Max Aurélio.