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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Redenção (PA): Justiça concede liberdade a pai suspeito de matar o filho e ele nega autoria do crime

Álvaro diz ser inocente
Até agora a opinião pública ainda não entendeu o que realmente aconteceu na noite do dia 7 de abril, por volta das 22h50 na casa de nº 81 no residencial de classe média alta ‘Castanheira’, em Redenção, quando uma criança de nove anos foi atingida por um tiro de pistola calibre 380 e veio a óbito dois dias depois. A Polícia Civil aponta o pai da criança como o autor do disparo, mas evidências revelam que podem existir equívocos nas provas apresentadas.

Logo após o fato, a delegado Marcos Camargo deu voz de prisão ao pai da criança, o agente de trânsito do Detran, Álvaro José da Silva. Na audiência de custódia realizada dois dias após o crime, a justiça manteve a prisão preventiva do pai que foi transferido para um presídio em Belém. Mas no último dia 3, o juiz Jun Kubota lhe concedeu a liberdade provisória com fundamento nos princípios básicos: primariedade, bons antecedentes, emprego e residência fixa. Mas Álvaro continua respondendo ao processo e poderá ser levado a júri popular.

PROVAS: O jornal A Notícia realizou reportagem investigativa sobre o caso, onde foi detectado que o delegado que atuou no inquérito se baseou em provas testemunhais e no sistema de filmagem da portaria do condomínio para formar sua convicção de que o pai matou o próprio filho. No relatório de conclusão feito pelo delegado, ele enfatiza o depoimento de Gabriel Durães, que é policial federal e é vizinho de Álvaro. Gabriel narrou que na noite do crime estava em casa juntamente com sua família quando ouviu um estampido (tiro) e logo após também ouviu gritos, e seu vizinho (Álvaro) batendo na porta de sua casa pedindo socorro, dizendo queBuraco da bala na parede indicando que o tiro que matou a criança, pode ter sido disparado de baixo para cima seu filho havia atirado na própria cabeça.

Já no depoimento da esposa de Gabriel Durães, Camila Rodrigues que também estava na casa, é possível detectar contradição, ela disse ao delegado que estava em sua residência com seu marido (Gabriel Durães) e um filho, quando por volta das 22h45 ouviu um barulho diferente, tendo em seguida ido até a sala para trancar a porta e neste momento viu o carro do senhor Álvaro passando em frente a sua residência e estacionando na garagem da casa dele; que logo em seguida ouviu gritos desta pessoa, textuais: “meu Deus, meu Deus”; que Álvaro foi até a sua casa pedindo socorro, pois seu filho havia dado um tiro na cabeça.

No relatório do delegado, consta fotos feitas no interior da casa onde aparece a criança caída ao chão, o pente da pistola debaixo de seu braço e a arma na bancada do closet. Nos depoimentos dos vizinhos Gabriel e sua esposa Camila, eles afirmam que ao entrar na casa viu a criança caída, a arma na bancada do closet e o pente da mesma ao lado da criança.

A namorada de Álvaro, Cleydyanne de Oliveira disse que naquela noite, por volta das 22h49, falava ao telefone com Álvaro e que ele lhe informou que estava entrando no condomínio em direção a sua casa e que ouviu quando ele exclamou já no interior da residência: “amor o Yury não está na cama”, e que em seguida se dirigiu ao banheiro e gritou em desespero informando que seu filho estaria morto.

Álvaro disse em depoimento que avistou o filho caído com ferimento na cabeça ensanguentada e a arma caída ao lado do seu corpo com o pente semi encaixado. Ele disse ainda que nesse momento entrou em desespero e imediatamente saiu da casa para pedir socorro na casa vizinha e após esse momento não entrou mais na residência.

O agente de trânsito disse que lamenta o fato da acusação do delegado se basear em uma foto onde a arma aparece na bancada do closet, pois após pedir socorro, a vizinha Camila Rodrigues, a empregada doméstica da mesma e o seu esposo (Gabriel Durães) entraram na residência e logo em seguida agentes do Samu e policiais militares também entraram na casa.

CONSTATAÇÃO: Nossa reportagem constatou que não existe nenhuma prova ocular dos fatos e que a cena do crime pode ter sido alterada, o que é mostrado nas fotos usadas no inquérito como prova de que a arma estava em cima da bancada do closet, onde mostra que o registro foi feito depois que várias pessoas já haviam entrado na residência, pois na foto aparecem materiais de socorros do Samu.

Outro ponto observado pela nossa reportagem é que no inquérito um laudo mostra que o tiro foi disparado de cima para baixo, mas na parede do quarto mostra que o projétil foi disparado de baixo para cima atingindo a parede a uma altura de mais de dois metros. Quatro dias após o crime, o advogado do acusado solicitou ao delegado que encaminhasse o mesmo para exame residuográfico para saber se existia marcas de pólvoras em suas mãos. No entanto, seis dias depois o delegado despachou negando a realização do exame.

MÃE: A mãe da criança, Edna Oliveira dos Santos, separada há sete anos do agente de trânsito, disse que não acredita que Álvaro possa ter feito algo contra seu filho. “Estamos separados, mas sei do amor que ele tinha pelo nosso filho, não existia pai melhor”, explicou. (Fonte: Jornal A Notícia)