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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Privilégio de ter uma avó

Por Maycol Mundoca

Meus amigos! Se vocês foram concedidos o privilégio de ter uma avó ainda viva, gostaria de lhe dar alguns pequenos conselhos. Um em especial: leve sua avó ao cinema. E não importa se ela é ranzinza ou diga que não quer. Insista, encene, chore. Mas, leve sua avó ao cinema.

Escute a sua avó, não como um neto, mas como um ouvinte curioso por suas histórias extraordinárias do cotidiano, seja do passado ou do presente. E pouco importa se a história for repetida. Se já ouviu cinquenta e cinco vezes. Sorria, questione e ouça como se fosse à primeira vez.

Se as condições financeiras lhe permitirem, mesmo que a custa do atraso de alguns boletos, viaje com sua avó. Leve ela num lugar novo. Tire fotografias, ajude ela na escolha das roupas. Se houver piscina ou mar e ela disser que não quer entrar, insista! As avós são mestres na arte de fazer charme.

Converse com sua avó a respeito de política, de música, de poesia, dos problemas e também das soluções.

Compre batom pra sua avó, não o chocolate, batom de verdade. Ela provavelmente escolherá o mais singelo e discreto, mas se ela quiser ousar, incentive. As avós são essencialmente vaidosas.

É que às vezes a vida se mostra cruel, cansativa e o tempo curto e conturbado. E um batom, uma tarde no salão, um broche, ou um enfeite de cabelo novo, essas coisinhas que não custam nada, é a dose necessária para uma semana florida.

Mostre as coisas novas de nosso tempo, caso sua avó não seja uma expert em tecnologia.

Jamais se sente se ela tiver em pé, jamais a interrompa sem motivo, jamais lhe dê as costas. Jamais encerre um dia (se possível) sem dizer que a ama.

Meus amigos, se acaso a vocês foi relegado o privilégio de ter uma avó ainda viva, leve sua avó no cinema, de preferência em cinema 3D. Você vai se divertir assistindo ela assistir. A minha brigou com um abutre e desviou de uma pedra.

Fotografe tudo e, por favor, não se esqueça de imprimir as fotos. Elas adoram relembrar.
E lembre-se que sua avó está viva!

E quando repetem insistentemente as histórias já passadas, quase como um mantra, indiretamente, sutilmente ela está se colocando à disposição para experimentar coisas novas.