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A professora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), desenvolveu uma proteína experimental chamada polilaminina, capaz de estimular a reconexão de neurônios danificados. O avanço já permitiu que pacientes paraplégicos e tetraplégicos recuperassem movimentos, resultado considerado inédito em casos graves de lesão medular.
Após quase 30 anos de pesquisa, Tatiana coordenou uma equipe que criou a polilaminina a partir de proteínas extraídas da placenta humana — substâncias que desempenham papel fundamental no desenvolvimento do sistema nervoso.
Aplicada por injeção diretamente na área lesionada da medula espinhal, a molécula atua como uma espécie de “cola biológica”, criando um ambiente favorável para o crescimento dos axônios e a reconstrução dos circuitos nervosos.
Lesões na medula espinhal sempre foram tratadas pela medicina como praticamente irreversíveis. Quando os neurônios são rompidos, o corpo tem capacidade limitada de regeneração, o que torna a paralisia, em muitos casos, permanente. Uma pesquisa liderada por uma cientista brasileira, no entanto, pode mudar esse cenário.
O avanço vem sendo apontado por parte da comunidade científica como um dos mais promissores da medicina regenerativa nas últimas décadas. Embora ainda esteja em fase inicial de testes clínicos, o potencial da pesquisa já é citado como possível candidato ao Prêmio Nobel de Medicina no futuro.
MAIS
Tatiana Sampaio, cientista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), alega que a patente internacional da polilaminina foi perdida devido à interrupção de verbas para pesquisa na universidade entre os anos de 2015 e 2016.
De acordo com Tatiana, a concessão da patente nacional levou 18 anos para ser finalizada, ocorrendo apenas em 2025. Como o prazo total de validade é de 20 anos, restam somente 2 anos de exclusividade para a cientista no país. Já o registro estrangeiro deixou de existir pela falta de pagamento das taxas obrigatórias, antes custeadas pela universidade.
“Os recursos da UFRJ foram cortados em 2015 e 2016, e não havia dinheiro para pagar a patente internacional”, declarou.
PATENTE?
A patente é um título de propriedade temporária concedido pelo Estado ao inventor ou ao titular dos direitos sobre determinada criação. No Brasil, ela é outorgada pelo INPI - Instituto Nacional da Propriedade Industrial.
Segundo o advogado Gabriel Di Blasi, sócio fundador do escritório Di Blasi, Parente & Associados, a patente confere ao titular o direito de impedir terceiros, sem autorização, de produzir, usar, vender, oferecer à venda ou importar o produto protegido - ou processo diretamente relacionado a ele.
Em contrapartida, o inventor deve revelar detalhadamente todo o conteúdo técnico da invenção no pedido de patente, permitindo que a sociedade tenha acesso ao conhecimento após o término da vigência do direito.
No caso da patente de invenção - categoria aplicável a medicamentos inovadores - o prazo é de 20 anos contados da data do depósito do pedido.
Durante esse período, apenas o titular pode explorar comercialmente o produto.
(Com informações de Hora do Povo/Diário do Comércio. Foto: divulgação)